Miau na frequência? Por que a "brincadeira" de pilotos nos EUA virou investigação

No controle de tráfego aéreo, a voz é a nossa principal ferramenta de trabalho e a responsabilidade é enorme em cada transmissão emitida. Pois bem, um caso recente nos Estados Unidos mostra exatamente o que acontece quando essa seriedade é deixada de lado por um momento de descontração que, para as autoridades, passou do ponto.

Dois pilotos foram flagrados latindo e miando na frequência de rádio do Aeroporto Nacional Ronald Reagan Washington. O que começou como uma brincadeira infantil terminou em uma investigação da FAA e em uma "patada" histórica do controlador de tráfego aéreo.

O que aconteceu no rádio de Washington



A situação foi captada por aplicativos de escuta aeronáutica. Um piloto soltou um "miau" e foi prontamente respondido pelo colega com o mesmo som. A sequência continuou com latidos e mais miados, ignorando o tom profissional que a aviação exige.

A reação do controlador foi imediata e ácida. Ele não apenas repreendeu os pilotos dizendo que precisavam ser profissionais, como também deu um golpe baixo na hierarquia da aviação: "É por isso que você ainda está voando em RJ".

Para quem não é da área, RJ significa Regional Jet. Na aviação comercial americana, os pilotos costumam começar em companhias regionais (voando aviões menores) para depois tentarem uma vaga nas grandes empresas como Delta ou American Airlines. O controlador basicamente disse: "É por essa falta de postura que você ainda não chegou em empresas maiores".

Por que a FAA abriu uma investigação?

Pode parecer apenas uma brincadeira inofensiva para aliviar o estresse, mas na aviação as regras são escritas com base em erros do passado. Existem dois motivos técnicos principais para essa conduta ser considerada grave:

  1. A Regra do Cockpit Estéril: A FAA determina que, abaixo de 10 mil pés de altitude (aproxidamente 3km) os pilotos não podem ter conversas não essenciais. Esse é o momento crítico de subida ou descida, onde o foco deve ser total na operação da aeronave.

  2. Congestionamento da Frequência: O rádio é um recurso limitado. Enquanto alguém está miando, um outro piloto pode estar tentando reportar uma emergência ou uma falha técnica. Bloquear a frequência com ruído desnecessário é um risco de segurança real.

A visão de quem está no console

Como controlador, eu entendo que o ambiente de trabalho pode ser tenso e que um pouco de humor ajuda a manter a sanidade. Mas existe hora e lugar. O rádio é público e todas as comunicações são gravadas.

Quando um piloto decide latir na frequência, ele não está apenas sendo engraçado, ele está desrespeitando o sistema e pode estar prejudicando centenas de pessoas que podem estar a bordo em um avião em emergência, por exemplo. A resposta do controlador em Washington foi dura, mas reflete o sentimento de quem precisa de profissionalismo para fazer o trabalho fluir.

Na aviação brasileira, o rigor é ainda maior. A MCA 100-16 é responsável por  estabelecer os padrões de fraseologia de tráfego aéreo para que a comunicação seja rápida, clara e sem ambiguidades. Qualquer coisa fora disso é ruído.

Segue o link para os interessados: https://publicacoes.decea.mil.br/publicacao/mca-100-16

E você, o que acha?

Nas redes sociais, as opiniões se dividiram. Alguns acharam que o controlador exagerou na fala sobre o jato regional, enquanto outros defenderam que a segurança não aceita esse tipo de comportamento.

Você acha que o controlador agiu certo ao dar aquele "puxão de orelha" ou a brincadeira dos pilotos não deveria ter virado caso de investigação?

Deixa sua opinião aqui nos comentários. Até a próxima!

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