Aptidão para o controle de tráfego aéreo: eu não era o candidato ideal e mesmo assim consegui
Uma das perguntas que mais recebo de quem está estudando para a EEAR é: "Como saber se eu tenho o perfil para ser controlador?". Muita gente acha que, para trabalhar com tráfego aéreo, você precisa ser um gênio da matemática ou uma máquina humana capaz de fazer dez coisas ao mesmo tempo.
Vou ser bem sincero com vocês. Se eu tivesse acreditado cegamente nos testes de aptidão lá no começo, eu nem estaria aqui escrevendo este post.
O diagnóstico do TAPMIL e a minha realidade
Quando fui reprovado no TAPMIL, o teste de aptidão à pilotagem militar, o diagnóstico foi claro: eu não tinha um bom gerenciamento de múltiplas tarefas. Eu saí de lá com a sensação de que, se eu não conseguia gerenciar várias coisas ao mesmo tempo, talvez o controle de voo também não fosse para mim.
Sempre me considerei alguém mais focado em uma coisa de cada vez. A ideia de ter que falar no rádio, coordenar com outro setor, observar a tela do radar e planejar o sequenciamento de quatro ou cinco aeronaves simultaneamente me parecia assustadora.
A dificuldade no estágio operacional
Essa limitação que o teste apontou não desapareceu magicamente quando entrei na EEAR. Após os dois anos de formação, quando cheguei ao órgão para o estágio operacional, a realidade bateu à porta. No console, com o tráfego real acontecendo, eu senti a dificuldade.
Diferente da teoria, o estágio operacional exige que você coloque em prática a visão espacial e a agilidade mental sob pressão. Tive momentos em que achei que não daria conta, justamente por essa característica de não ser naturalmente um "multitarefas". Mas o controle de tráfego aéreo tem algo fascinante: ele é treinável. Com disciplina, repetição e técnica, eu consegui compensar minhas limitações e, finalmente, habilitar como controlador de APP.

Habilidades que realmente importam
Baseado na minha trajetória e no que vejo hoje no dia a dia do órgão, listei as habilidades que considero fundamentais. Se você não nasceu com elas, saiba que terá que se esforçar o dobro para desenvolvê-las:
Visão Espacial: É a capacidade de olhar para pontos em uma tela 2D e se situar, diferenciar rapidamente direita/esquerda, norte/sul e etc. Estabilidade Emocional: O tráfego vai apertar. A fonia vai congestionar. Nessas horas, se você se desesperar, perde a capacidade de raciocínio. Manter a calma é o que garante a separação entre as aeronaves. Tomada de Decisão Rápida: No controle não existe o "vou pensar e te respondo". A decisão precisa ser tomada em segundos. É melhor uma decisão 90% correta tomada na hora do que uma 100% correta tomada tarde demais. Comunicação Clara: Como vimos nos posts anteriores sobre fraseologia, você precisa ser direto. Se você tem dificuldade em se expressar de forma objetiva, vai sofrer no rádio.
Aptidão se constrói
Se você, assim como eu, não se sente um mestre em todas essas habilidades, não desista de cara. A aviação exige respeito e dedicação. Se você estiver disposto a enfrentar suas fraquezas, a sua força de vontade e dedicação te levarão ao êxito.
No Brasil, o processo de seleção e treinamento é rigoroso justamente para filtrar quem consegue suportar essa carga. O DECEA mantém padrões elevados para garantir que, independentemente da sua facilidade natural, você atinja o nível de proficiência necessário.
Para quem quiser ver mais sobre os requisitos de saúde e aptidão física e mental, deixo o link da ICA 160-6, que trata das inspeções de saúde na Aeronáutica:
E você, como se avalia nesses pontos?
Você se considera alguém que mantém a calma sob pressão ou prefere ambientes mais tranquilos? Acha que sua visão espacial é boa para encarar um desafio desses?
Comenta aqui embaixo. Quero saber se você também tem algum "ponto fraco" que acha que pode atrapalhar no concurso. Até a próxima!



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